Receita Federal e Procomex lançam
programa que reduz burocracia e
custos nas operações alfandegárias
Com a participação do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, foi
lançado, em São Paulo, o Programa Brasileiro de Operador Econômico
Autorizado (OEA) Módulo Cumprimento, uma iniciativa da Receita Federal
que deve beneficiar empresas brasileiras que serão certificadas por
representar baixo risco em relação à segurança da carga e/ou ao
cumprimento da legislação.
O lançamento ocorreu durante o
Seminário Internacional Projeto OEA: Compliance, organizado pelo
Procomex – Aliança Pró-Modernização Logística de Comércio Exterior,
promovido pela Receita Federal, com o apoio da CNI – Confederação
Nacional da Indústria e que reuniu aproximadamente 500 pessoas entre
autoridades de aduanas de diversos países, representantes de organismos
nacionais e internacionais e de vários segmentos do setor privado. “O
Programa OEA representa um novo paradigma no controle aduaneiro no
Brasil, pois além de reduzir a burocracia nos trâmites alfandegários de
importação e exportação, diminui o tempo de tramitação na entrada e
saída de mercadorias no País, reduz custos operacionais e propicia maior
segurança logística nas operações de comércio exterior”, disse o
secretário da Receita Federal.
Durante o Seminário, foi
promovida uma solenidade especial para a entrega das Certificações OEA -
Conformidade para 15 empresas que participaram do projeto-piloto do
Programa. As empresas contempladas na lista das primeiras certificações
dessa modalidade são: 3M, Basf, Bosch, CNH Latin America, Dell, Dow
Química, Embraer, Farmoquímica, General Motors, IBM, LG Electronics,
Samsung, TAM, Toyota e Volvo.
O Programa OEA, já adotado em 73
países, incluindo os principais parceiros comerciais do Brasil,
permitirá que as empresas pré-autorizadas pela Receita Federal transitem
sua carga – na importação e na exportação – com menos atraso decorrente
das análises física e/ou documental da carga. “O Programa Brasileiro
OEA deve mudar significativamente a forma como a Receita trabalha para
que o Brasil se torne mais competitivo em relação ao comércio
internacional”, afirmou John Mein, coordenador executivo do Procomex.
Para
Mein, a agilidade e a previsibilidade são benefícios para as empresas
certificadas, pois poderão identificar controles aduaneiros
simplificados e céleres. A principal vantagem do Programa para o
exportador será receber no país de destino, a partir dos Acordos de
Reconhecimento Mútuo (ARM), o mesmo tratamento aduaneiro preferencial
recebido no Brasil. “O Programa OEA traz mais segurança e reduz a
burocracia, envolvendo também uma mudança cultural para as indústrias”,
afirmou Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial
da CNI – Confederação Nacional das Indústrias, que coordenou o primeiro
painel do Seminário.
Abijaodi destacou a importância do Programa
ao mencionar uma pesquisa, feita pela CNI com 600 empresas, apontando a
burocracia alfandegária como segundo maior fator para o entrave do
comércio exterior brasileiro. “Nesse sentido, o Programa OEA deve
contribuir para aumentar a participação no comércio internacional do
País”, comentou Abijaodi.
Sem restrição quanto ao porte, as
empresas terão de avaliar se farão os investimentos identificados na
autoavaliação. Além das vantagens operacionais e econômicas para os
agentes envolvidos no comércio exterior, o Programa OEA é algo que
favorece também a atração de investimentos para o País, na medida em que
confere maior transparência e confiabilidade nas transações de comércio
exterior brasileiras.
Além da atuação da Aliança Procomex, o
projeto de implantação do Programa OEA contou com apoio da CNI e também
da assessoria especial fornecida pela consultoria sueca KGH, empresa
líder mundial no desenvolvimento desse tipo de mecanismo para aduanas.
“O pacote de soluções desenvolvido pela Receita Federal do Brasil para a
elaboração do Programa brasileiro é um dos melhores do mundo”, avaliou
Lars Karlsson, presidente da KGH, que fez uma palestra no primeiro
painel do Seminário.
A meta da Receita é que, até 2019, 50% das
operações de importação e de exportação do Brasil deverão ocorrer por
meio de empresas habilitadas no Programa OEA. Para a RF, a partir de
2016 será essencial a integração de outros órgãos anuentes para que o
programa esteja completo. “Nosso maior desafio ao desenhar o Programa
foi compatibilizar facilidades para os trâmites alfandegários com a
segurança necessária para as transações”, disse José Carlos de Araújo,
coordenador geral de Administração Aduaneira da Receita Federal.
Em
seguida, o gerente de logística da Embraer, Claudenir Chamorro
Pelegrina, fez um relato de como foi a implantação do Programa OEA na
empresa. “Foi necessário um intenso trabalho de mudança cultural dentro
da companhia para o sucesso do programa”, afirmou Pelegrina. O executivo
informou que foram promovidos diversos cursos e treinamentos, que
envolveram 700 funcionários. “Além disso, atualmente, todos os novos
funcionários passam por um treinamento específico no Programa OEA”,
relatou.
O Seminário contou ainda com uma palestra
internacional, proferida pela representante do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), Sandra Corcuera Santa Maria, que abordou o tema
Visão Geral do Programa OEA na América Latina e Caribe. “Para a América
Latina e Caribe, o Programa cria uma aliança estratégica entre o setor
privado e as Aduanas, o que reforça a confiança entre os agentes que
atuam no comércio exterior, o que importante para a região, pois assim
ela caminha em conformidade com a legislação internacional”, afirmou
Sandra.
John Mein, coordenador do Procomex, ressaltou que o
seminário atraiu a atenção de empresários e executivos que atuam no
comércio internacional, profissionais e especialistas em comércio
exterior, além de entidades e lideranças empresariais e de órgãos
públicos ligados ao segmento. O evento foi a grande oportunidade para
que todos esses profissionais e lideranças envolvidos com comércio
exterior e sistemas de aduanas a se atualizarem sobre as
particularidades do Programa Nacional OEA.
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Laércio Vieira Pereira, Consultor em Comércio Exterior